“Memória de um Assassino” tem uma boa premissa que é desperdiçada por uma narrativa previsível
Patrick Dempsey, que será eternamente lembrado como o Dr. Derek Shepherd de Grey’s Anatomy, interpreta um personagem completamente diferente em Memória de um Assassino. Na série, ele interpreta Ângelo, um assassino de aluguel que leva uma vida dupla: durante o dia executa os serviços encomendados pelo seu chefe e de noite tenta ser um pai de família. A premissa, por si só, desperta curiosidade e promete um suspense psicológico que nos prende.
O grande diferencial da história
é que Ângelo enfrenta um diagnóstico de Alzheimer precoce e a partir desse
ponto, a série parecia ter todos os ingredientes para explorar dilemas morais,
identidade, memória e as consequências de uma profissão marcada pela violência.
No entanto, a produção prefere seguir por caminhos muito mais seguros e
previsíveis.
Ângelo trabalha para Dutch, dono
de um restaurante italiano que também comanda os assassinatos, e conta com a
ajuda de Joe, um parceiro em treinamento. Embora essa dinâmica funcione em
alguns momentos, Joe acaba sendo um personagem pouco desenvolvido, sem grande
impacto na narrativa.
O maior problema, porém, está no
núcleo familiar. Maria, filha de Ângelo, seu marido Jeff e o detetive Dave, ex-namorado
dela, protagonizam um triângulo amoroso que pouco acrescenta à história
principal. Sempre que a história muda o foco para esses três personagens, o
ritmo desacelera, dando a sensação de que estamos assistindo a uma série
completamente diferente. Em vez de aumentar a tensão, essas sequências quebram a
nossa atenção.
Apesar de apresentar um bom plot
twist, a revelação não chega a surpreender como deveria, justamente porque o
roteiro entrega pistas demais ao longo dos episódios. O desfecho também acaba
se estendendo além do necessário, tornando os momentos finais mais arrastados
do que emocionantes.
Isso não significa que Memória
de um Assassino seja uma série ruim, Patrick Dempsey entrega uma atuação
convincente e consegue transmitir a fragilidade de um homem que, além de
esconder sua verdadeira profissão, começa a perder aquilo que mais define quem
ele é: suas lembranças. É justamente essa interpretação que sustenta boa parte
da experiência.
Com a confirmação de uma segunda
temporada, fica a expectativa de que os próximos episódios aproveitem melhor o
potencial da premissa. Há muito material para explorar a deterioração da
memória de Ângelo e os impactos disso em sua vida dupla.
No fim, Memória de um Assassino é uma série que prende pela ideia inicial, mas decepciona na execução, um suspense que tinha potencial para ser marcante, mas acaba se tornando apenas mais uma história de assassinos de aluguel, com algumas boas ideias que nunca chegam a ser plenamente desenvolvidas.
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